
Apontamentos setembrinos
1. Neste mês algumas imagens, digamos, horripilantes, das estagnadas águas do rio Tâmega, presentes na Albufeira do Torrão em Amarante, foram bastante mediatizadas. Suficiente para que a Quercus efectuasse uma conferência de imprensa e exigisse, ao Ministério Público, uma investigação para apurar as responsabilidades institucionais dos diversos intervenientes públicos e privados na eutrofização daquelas águas. Um crime ambiental evidente, tanto pela acção directa do poluidor como da passividade criminosa das entidades responsáveis pela qualidade daquelas águas. A Quercus, também, instigou para que as populações de Celorico e Mondim de Basto fossem conhecer o estado degradante das estagnadas águas da albufeira do Torrão (consequência da barragem do Torrão) para terem uma visão futura do que poderá acontecer com a albufeira resultante da implementação da barragem de Fridão. Fica o aviso e o alerta para um futuro pouco “ambiental” para um projecto hidroeléctrico acarinhado por muitos dos políticos do Baixo Tâmega e renegado pela realidade.
2. Desde do final do mês de Agosto até ao presente mês de Setembro, os incêndios florestais têm fustigado as Terras de Basto de um modo como não se via desde 2005, um annus horribilis na destruição florestal. As causas são diversas, mas há uma que se sobrepõe às demais: o fogo posto. Por descuido, por falta de cultura ambiental e cívica, por interesse económico ou lúdico, por loucura ou por um qualquer estado maníaco parece quase certo que o factor humano seja dominante na génese dos incêndios florestais. Contudo, com muitas limitações, as corporações de bombeiros voluntários (um adjectivo que muita gente não quer entender) da nossa terra têm feito o possível para que as consequências desta calamidade sejam minoradas. Muitas vezes o combate às chamas é feito no limiar da resistência física e psicológica e tem como desfecho a incompreensão de populares. Pelo esforço e pelo voluntariado daqueles homens e mulheres a reacção popular deveria ser muito diferente daquela que domina nas diversas ocorrências de socorro. Enfim, mais um caso de falta de cultura cívica e bom senso.
3. Aproxima-se o dia do escrutínio para as eleições legislativas. Na esfera política e opinativa, o discurso tem-se centrado na hipótese em que as próximas eleições serão, mais uma vez, uma discussão a dois. José Sócrates e Manuela Ferreira Leite, PS e PSD são as duplas possíveis em muitas opiniões. Uma dualidade presente na maioria dos trinta e cinco anos em Democracia, portanto uma dualidade responsável pelo estado actual do País e da população – para o bom e para o mau. Convém referir que vivemos numa democracia multipartidária e que todos os partidos apresentam ideias e soluções hipoteticamente tão válidas como os “gémeos” PS e PSD. Centralizar o discurso numa opção entre estes dois partidos é desviar-nos do fundamental desta eleição. Ou seja, é desviar-nos de uma verdadeira alternativa governativa porque, a grosso modo, PS e PSD (com o acessório CDS-PP) têm nos governado não alternativamente mas sim continuamente. Portanto, a conclusão é simples: centralizar o discurso nestes dois partidos é centralizar, substancialmente, a discussão política na mesma política governativa.
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