
Para quando o comboio do progresso?
Durante este mês a estação televisiva SIC passou uma reportagem (intitulada de “Fim de Linha”) sobre os comboios de linha estreita em Espanha e em Portugal. Em jeito comparativo, a reportagem expunha as diferenças entre o tratamento dado a estas linhas com características próximas das portuguesas. As linhas ferroviárias estreitas espanholas situam-se no interior, em zonas predominantemente montanhosas, abrangendo zonas despovoadas e isoladas geograficamente. No entanto, em Espanha, estas linhas centenárias não foram deixadas ao abandono. Foram totalmente modernizadas (retomando até, com os devidos melhoramentos, vias anteriormente encerradas) e tornaram-se economicamente sustentáveis produzindo-se como um factor de progresso nas terras onde atravessa. Estas linhas estreitas (como a linha do Tâmega), em Espanha, foram modernizadas de forma a servirem o transporte de passageiros, mercadoria e o turismo. Poderemos afirmar com segurança que o investimento neste tipo de vias foi (e está a ser) um sucesso.
Em Portugal, foram encerradas, nos últimos anos, 500 km de linha ferroviária em contraponto com a realidade espanhola. Na nossa realidade temos a linha do Tâmega (encerrada à cerca de 29 anos em troca de umas benesses como a via rodoviária do Tâmega que ainda não está completa) com características topográficas semelhantes às terras onde a linha estreita espanhola existe. Porém, o estado da nossa linha é totalmente diferente da similar linha estreita espanhola. Enquanto, na realidade espanhola, os políticos decidiram renovar e modernizar a linha, aqui, encerraram-na e abandonaram-na. Enquanto, na realidade espanhola, existe um serviço de transporte de passageiros e mercadorias (com a valência turística) moderno e ecológico, aqui, nas Terras de Basto, temos um serviço de transporte rodoviário insuficiente, caro e poluidor que atravessa as, menos boas, estradas municipais e nacionais ou a caríssima auto-estrada número sete.
Todavia, a restante linha do Tâmega (que se salvou da má visão estratégica dos políticos) está em obras de renovação (entre a Livração e Amarante). Invés de se incentivar a reabertura da restante linha do Tâmega (aproveitando agora a intenção de renovar a ferrovia entre Livração e Amarante) os políticos preferem transformar a encerrada linha ferroviária do Tâmega numa “ciclo-eco-pista” , alcatroando-a. A “ciclo-eco-pista” entre Guimarães e Fafe (num extinto troço da linha do Tâmega) existe e está, tal como a ferrovia cá em Basto, abandonada e vandalizada. Contudo, este contra-exemplo não serve para esclarecer a maioria dos políticos de Basto que continuam a pensar que o projecto “ciclo-eco-pista” para a linha do Tâmega nesta região é um factor de desenvolvimento e progresso.
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