
O (novo) regime de autonomia, administração e gestão dos estabelecimentos públicos de educação pré-escolar e dos ensinos básico e secundário veio estender a Escola pública à comunidade em que ela se insere, ou seja, este regime foi estabelecido com o objectivo de reforçar a participação da comunidade na direcção da Escola pública.
Um princípio bom e necessário. A “abertura” que abarca este regime, pressupõe a “entrada” de governantes locais nos desígnios da Escola. Em, grosso modo, a “entrada” destes funcionários da coisa pública (embora, saibamos que muitos não pensam e, pior, não ajam como tal) é algo essencial para o objectivo de “abrir” e “democratizar” a Escola.
No entanto, esta “abertura” escolar à comunidade atraiu de imediato a (má) intervenção política. Este regime decreta que o órgão colegial (o Conselho Geral) eleja o órgão unipessoal (o cargo de Director) e é neste importante passo administrativo que políticos sem escrúpulos tentam instrumentalizar a Escola escolhendo, através do seu voto no Conselho Geral e/ou influenciando (eufemismo) outros votos, não aquele que por mérito e crédito deve ser o Director mas sim aquele que mais se adapta, por simpatia ou por simples estratégia política, ao desejo do político.
Isto é uma traição ao conceito de Escola pública e um mau (e perigoso) uso de um regime jurídico que visa melhorar o serviço público prestado pelas Escolas.
Estas tentativas de instrumentalizar pessoas e instituições têm sido um modo de operação comum a muitos políticos e governantes nas Terras de Basto. É ridículo como, descaradamente, sem respeito e consideração (pelos instrumentalizados) estes políticos usam pessoas e instituições para fins políticos, partidários e pessoais. Algo é certo, se nada se fizer contra este tipo de acções e este tipo de políticos eles lá continuarão a agir do mesmo modo porque, aparentemente, escrúpulos não os têm e os resultados (os dividendos políticos) valem o ridículo.
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