
A linha ferroviária do Tâmega
Encerraram, por alegados motivos de segurança, o último troço funcional desta linha ferroviária. Em causa: o evidente descuro de quem explora a linha e, como em muitos outros casos, a condenou a um estado de degradação intolerável. Um evento que aconteceu no país com mais quilómetros de auto-estradas em toda a União Europeia e mediante o beneplácito dos governantes (políticos e afins). Estes, apresentaram um plano, dito rodoviário, que contempla a construção de mais 1316 quilómetros em alcatrão (estradas e auto-estradas).
No país “rodoviário”, segundo o semanário Expresso, existe nove auto-estradas “não necessárias”, ou seja, pelos critérios utilizados no estudo, estas não apresentam um volume de tráfego suficiente para motivar a sua construção. Das nove “magníficas”, encontra-se a A7, que em todo o seu esplendor trespassa a Região de Basto.
Uma conclusão pode-se derivar dos factos atrás expostos: as estradas e auto-estradas têm sido a escapatória para más e fracas políticas em mobilidade e transporte e a escolha destas implicou a recusa de outras alternativas em comunicação e mobilidade (e.g. Linha ferroviária). A razão é simples, não existe “financiamento” para tudo logo escolher o que (ou a quem) financiar é imperativo. Escolheram a rodovia como meio privilegiado, o resultado está à vista. Citando o nosso Presidente da República, embebido na sapiência de frei Tomás , “Em Portugal ainda se confunde custos com benefícios. Uma estrada é toda ela custos. O benefício é o trânsito que passará nela. Se não houver trânsito, não há benefício, é zero”. Amém.
O governo apresentou, entre outras, uma proposta para a remodelação da linha ferroviária do Tâmega (apenas para os restantes 13 quilómetros funcionais da linha) que orça em 14 milhões de euros, o que dá (alguém muito prestável já fez as contas) um custo médio de cerca de 1 milhão de euros por quilómetro de linha. Ou seja, a reconstituição de toda a linha ferroviária do Tâmega ficaria por 53 milhões de euros. Um valor quase irrisório quando comparamos o valor de cada quilómetro (cerca de 5 milhões de euros) da variante às EN’s 205 e 210, o que consubstancia um valor cerca de 20 milhões de euros por 4 quilómetros de alcatrão e derivados.
A ferrovia é um conceito de mobilidade e comunicação que possui as seguintes características (comparando-a com a rodovia): é um transporte colectivo e público, mais ecológico, mais “barato” , em certos casos mais rápido, não há "engarrafamentos", atrasos (a não ser propositados) etc.
Os políticos (em boa vontade) de outrora decidiram “trocar” a ferrovia pela rodovia. Na nossa Região de Basto há ainda prerrogativas desta troca a cumprir (o comboio foi mas a via do Tâmega, na totalidade, ainda cá não está portanto peça-se o retorno do comboio e esqueçamos o resto da via). Somente uma mudança de mentalidade pode exigir uma nova política de mobilidade e comunicação para Portugal e, consequentemente, para a Região de Basto.
O resumo é simples e curto: simpatizem com a causa (da ferrovia) que o futuro dar-vos-à a razão. A mesma razão que o presente tende a evidenciar e o passado (recente) finca em esconder.
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