
vox populi vox dei
No final do mês de Novembro a fuga de um pároco de Celorico de Basto tornou-se um evento noticiado e reportado nos principais meios de comunicação deste país. Causa: uma suposta história de amor shakespeariano. A paixão, a intriga, o choque social e a negação das famílias ao amor incontrolável e incompreendido foram os principais ingredientes desta história. De um lado a família da jovem, do outro lado a grande e poderosa família católica -família adoptiva do jovem. Ambas negaram o consentimento ao amor: uma por opção e a outra por zelo à norma do celibato. Vincaram a sua decisão contrariando algo tão lúcido e atómico que é a indiferença do conceito «amor» às leis e às crenças dos Homens. Perderam ambas, como seria de esperar.
Não é algo novo em Terras de Basto. Houve, provavelmente há e haverá histórias com ingredientes e personagens semelhantes. No entanto, as reacções populares foram interessantes. A «vox populi» é um excelente "medidor" social. Permite que determinemos, embora com um erro de aproximação considerável, o estado da «mentalidade colectiva» das nossas gentes . Vejamos, nas reacções imediatas houve populares que apelidaram de «escândalo» o acontecimento amoroso. Outros, que o apelidaram como «compreensível». Posições diferentes sobre um mesmo acontecimento. Mas, pelo menos não li nem ouvi qualquer comentário em contrário, ninguém questionou o que deveria ser questionado: a razão social para a fuga deste casal. Porque, com o pároco renegando à norma e a jovem entregando-se ao amor, não puderam comungar o amor deles na terra onde ambos viveram? Fica a questão porque a resposta é, infelizmente, óbvia demais para ser enunciada.
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