
A “voz”
Durante o corrente mês, na Assembleia da República, o órgão democrático por excelência, foi apresentada, pela Oposição, uma proposta que consistia num conjunto de medidas excepcionais para a minoração da crise sócio-económica existente na Região do Ave (onde se inclui os concelhos de Cabeceiras e Mondim de Basto) e na Região do Cávado. Em causa estava um pacote de medidas urgentes para o “desagravar” da excepcional crise (se compararmos os indicadores económicos e sociais de outras zonas de Portugal) implementada nestas regiões.
Neste escrutínio parlamentar foi evidente o consenso de todos partidos da Oposição (PSD, PCP e Verdes, BE e CDS-PP). Uniram-se, tendo em conta a urgência e o atenuar da “tragédia social” nestas regiões, na ténue esperança em haver uma aprovação por uma maioria parlamentar. Uma aprovação que implicaria, devido à composição política da Assembleia da República, o voto “positivo” de alguns deputados socialistas. Durante a discussão da proposta os deputados da Oposição, eleitos pelo círculo de Braga, apelaram aos seus congéneres socialistas (entenda-se, membros da bancada parlamentar do Partido Socialista), eleitos pelo mesmo círculo eleitoral, para votarem segundo as suas e não pela “consciência” ditada pela “voz” do partido.
De facto, a “voz” bradou mais alto nas mentes dos “eleitos” socialistas. Munidos, pela “voz”, com o argumento (discutível) que as medidas governamentais existentes eram suficientes, efectivaram o “chumbo” parlamentar.
Este acontecimento serviu, mais uma vez, para “reacender” na minha mente umas “velhas” questões: a que “voz” os “eleitos” se pautam? Será que é perante o “grau” de reverência a esta “voz”, que o seu lugar é assegurado? Será legítimo o voto daqueles que se pautam por ela? Aviso, desde já, que as possíveis respostas poderão “medir” a qualidade da política que teima em nos governar.
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